Abandono
do tabagismo
No Brasil, cerca de 30% da população adulta é
fumante. Embora haja predomínio do sexo masculino, as mulheres nas últimas
décadas estão se aproximando dos homens nesta prática. Estima-se que nos países
desenvolvidos o tabaco cause aproximadamente 30% de todas as mortes entre 35 e
69 anos, sendo a maior causa de morte prematura no primeiro mundo.
No Brasil, estima-se que ocorram 125.000 mortes a cada ano
por doenças associadas ao fumo. Portanto, a cada 5 minutos morre um brasileiro
como conseqüência do tabagismo! Em todo o mundo, a cada 8 segundos, morre um ser
humano devido ao fumo!
Há várias décadas sabe-se que o tabagismo é a causa mais
importante de muitas doenças pulmonares, como a bronquite crônica, o enfisema
pulmonar e o câncer de pulmão, estando ainda associado a doenças
cardiovasculares e tumores de vários locais.
Também se sabe que os fumantes têm uma perda da função
pulmonar superior a dos não fumantes. Atualmente, ninguém mais duvida de que
fumar seja prejudicial à saúde. Desde médicos até leigos dos mais variados
níveis culturais, todos recebem informações sobre os males do tabagismo. Os
próprios fabricantes reconhecem ou são obrigados a reconhecer o problema e a
acatar as normas governamentais que obrigam a inscrever nas embalagens dos
produtos mensagens sobre riscos potenciais de seu uso. As restrições à prática
do tabagismo em ambientes coletivos visam a proteger os não fumantes do
“tabagismo passivo”, que comprovadamente também é danoso à saúde. Os médicos, em
geral, cansam de tanto aconselhar seus pacientes a não fumar.
No entanto, apesar das informações recebidas e de todos
esforços desenvolvidos pelos profissionais da saúde, a maioria dos fumantes não
abandona o vício e muitos jovens ainda estão se iniciando nesta nefasta prática.
A Saúde Pública terá enormes benefícios com a erradicação do tabagismo. Por
isso, governo, pesquisadores e alguns setores da comunidade leiga estão se
envolvendo significativamente neste sentido.
Métodos disponíveis para o abandono do tabagismo
Orientação realizada pelo médico: os profissionais
da saúde orientam seus pacientes para que deixem de fumar, o que pode ser feito
de uma forma breve ou de uma forma mais intensiva.
As formas mais intensivas apresentam melhores resultados.
Se o fumante já apresentar sintomas de anormalidades nas provas de função
pulmonar, este poderá ser um forte argumento para convencê-lo da necessidade de
abandonar o tabagismo, mas é preciso deixar bem claro que o fumante é quem deve
decidir parar de fumar e o modo a ser utilizado para isso embora, como regra, é
preferível aconselhar que a parada seja abrupta, ou tudo ou nada, devendo ser
marcado o dia “D” desta parada. É importante avaliar o suporte familiar – se o
cônjuge ou outro co-habitante é tabagista, deve ser incentivado a entrar no
programa também, ou pelo menos não fumar na presença de quem está parando de
fumar.
Aconselhamento comportamental individual e em grupo:
ajuda os fumantes a deixar o cigarro, não havendo diferenças entre o
aconselhamento individual e em grupo.
Material de auto ajuda: muitos fumantes deixam de
fumar sozinhos, sendo que material com instruções e informações sobre os efeitos
do fumo, e de como deixar de fumar são importantes, mas não apresentam melhor
resultado do que a intervenção de um profissional da saúde.
Reposição de nicotina: o objetivo das terapias de
reposição é repor a nicotina do cigarro, o que reduz os sintomas de abstinência
associados a cessação do fumo. Todas as formas disponíveis no mercado (adesivos,
goma de mascar, e em alguns países, os inaladores de nicotina, spray nasal e
tabletes sublinguais de nicotina) são efetivas como parte de uma estratégia para
cessação do fumo. A reposição de nicotina aumenta em 2 vezes a probabilidade de
abandono do fumo. Exceto por motivos de ordem médica, todos os fumantes podem
usar a reposição de nicotina. A gravidez e a doença cardiovascular são contra
indicações para o seu uso, e o seu emprego nestas situações deve ser avaliado
pelo médico.
Ansiolíticos e anti-depressores: o hábito de fumar
parece em parte se dever a um déficit de dopamina, serotonina e norepinefrina, e
que são aumentadas com o uso de ansiolíticos e anti-depressores. Ansiedade e
depressão são sintomas de abstinência a nicotina, e algumas vezes, parar de
fumar pode desencadear um quadro depressivo. Há pouco na literatura sobre o
emprego dos ansiolíticos. Os anti-depressores, bupropiona e nortriptilina podem
ajudar a cessar o fumo. Há evidencias promissoras de que a bupropiona seja mais
eficaz do que a reposição simples da nicotina.
|